Estamos em 1999, no final do século XX. O “Bug do milénio” é o tema do momento, causando pânico generalizado e uma necessidade à escala global de renovação informática. Temia-se que a simples “viragem” dos calendários cibernéticos de 99 para 00 pudesse desregular o mundo inteiro, desde aeroportos a centrais nucleares. 

Tal não aconteceu, previsivelmente diremos nós, contudo, a viragem de século foi sinónimo de mudança em vários  setores. 

A Toyota, ciente de tudo isto, pretendia também uma mudança no paradigma e cliente alvo. Aproveitando-se do facto de ter os seus principais modelos desportivos a necessitar de ser renovados, preparou uma revolução:

Voltar a redesenhar os icónicos Celica e MR2.


Ambos tinham uma respeitável reputação, mas eram demasiado aburguesados, com pesos e dimensões a aumentar de ano para ano.

A solução passou pelo downsizing. Quer um quer outro, tornavam-se então mais pequenos, mais leves, e mais focados na condução.

De um lado, temos um “coupe” de tração frontal com suspensão independente às 4 rodas, substancialmente mais leve, baixo e largo que a geração anterior, com um design futurista <a cargo dos estúdios calty, california> e inspirado nas corridas Indy. 

No outro, um Roadster de motor central de pequenas dimensões, contrastando com o coupe e Targa da geração anterior, diferencial torsen e um peso abaixo dos mil quilos. 

Partilhavam o mesmo bloco em alumínio de 1.8 litros com tecnologia de abertura variável de válvulas, que casava perfeitamente com os seus pesos pluma. 

Por estas razões, os novos CELICA e MR2 eram muito diferentes dos modelos que substituíam. Eram automóveis para um público alvo jovem e que privilegiasse a experiência de condução. 

Possivelmente por romperem com o arquétipo Toyota à data que foram produzidos, tenham sido um pouco incompreendidos, e os menos desejados por conhecedores. 

Como eram acessíveis, eram também os mais associados à crescente cultura tuning e de corridas ilegais. 

Não obstante, foram uma lufada de ar fresco para a Toyota, trazendo irreverência e emoção a uma marca conhecida pela sobriedade.

Duas décadas volvidas, estes dois <patinhos feios> começam a revelar-se verdadeiros cisnes, com cotações em crescendo, podendo no futuro vir a tornar-se colecionáveis.

texto: Rui Duarte | fotografias: Sérgio Gonçalves

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